Nunca soube dizer Adeus, porém se fez necessário.

Arrumo minha mala enquanto ele permanece deitado na cama olhando a minha (des) organização, tem muito de mim ali, mais mesmo do que eu poderia imaginar, tentei voltar no tempo e lembrar quando mesmo foi que eu me isolei e comecei viver nesse mundinho só dele e só nosso, ele me olha fixamente e pergunta:

- Você precisa realmente ir?

Continuo a fazer minha mala, o silêncio permanece em mim, não consigo falar.

- Garota por favor não se despede de mim e não me deixa aqui somente com as nossa lembranças.

Preciso segurar o choro, eu tenho que ser forte.

- As lembranças ainda serão minhas, nossas.
- Não quero viver de lembranças.
- Não faz assim , eu nunca fui muito boa com despedidas.
- Então qual a real necessidade de se despedir, desfaz essa mala.
- Não dá rapaz, preciso ser forte e seguir em frente.
- Seja forte aqui comigo.

Essas palavras me seguram, e ao mesmo tempo eu me seguro para não chorar.

- Se é o que quer, faça, porém se não for, larga essa mala e deita aqui comigo.

Fico por alguns instantes olhando para a cama e lembrando de tudo que vivemos ali, do quanto fomos felizes e de como eu quis com que desse certo, só que não deu, o jeito dele era diferente do meu, não dava mais para aceitar, são longos anos vivendo desse jeito, precisava colocar um fim:

- Eu preciso fazer.
- Vou sentir sua falta garota.
- Por favor não mente.
- Não estou mentindo, queria que fosse mais fácil
- Infelizmente não é.
- Fica comigo só agora.
- Não posso, se eu ficar agora vou querer ficar para sempre.

Essa foi a nossa última conversa e com lágrimas nos olhos respirei fundo, virei as costas e segui. Sabe como é né, eu nunca fui  o tipo de garota ótima com despedidas e para ser sincera não gosto de me (des) pedir, curto quando a pessoa quer e consegue ficar, lembro-me bem são exatos três anos nessa história, essas idas e vindas e desencontros do amor. Ele com aquele jeito dele todo (des) ligado e (des) apegado, fez com que eu me jogasse, nunca combinamos em nada, absolutamente nada, manias, vícios e costumes, coisas que aos pouco eu fui tentando moldar e encaixar,mas que não deu.

Você sempre criticou a minha mania de que tudo em (trans) borda, que eu nunca sei me dar pela metade e que quero tudo para ontem ou para sempre. Você nunca entendeu o meu jeito de ser e de me jogar e por diversas vezes eu me joguei sozinha, porque você nunca quis se jogar comigo. Hoje rapaz eu estou partindo, te dando adeus, nunca fui boa com as (des) pedida, isso para mim é torturante, porém ou eu sigo em frente ou permaneço aqui, com tudo do mesmo jeito.

Hoje a garota cresceu e ela vai sentir sua falta, porém nada é fácil , não posso me anular por mais tempo e nem viver a sua maneira, o seu modo de se relacionar é diferente do meu, nunca fui boa com despedidas, porém hoje eu aprendi a me despedir, deixei naquele quarto todas as lembranças e planos, seja feliz ai que eu serei feliz aqui, não me odeio por ter partido, entenda os meus motivos, não dava mais para continuar.




 

3 comentários:

  1. Perfeito!!! Me identifiquei bastante com esse texto!!!Sigo em frente ou permaneço aqui,com tudo do mesmo jeito...

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    1. Gratidão minha linda, siga sempre em frente!

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  2. Caramba cada vez que eu leio um texto diferente me identifico muito obrigada por criar este blog.

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