Não te vejo mais como amigo!

(...) Longe de ti em desabafo, perto eu me desfaço, não da para esconder e nem consigo, tenho que te confessar que não da para te ver como amigo, vira e mexe tenho que superar os ciúmes de ver as meninas em cima de você, mas aposto que nenhuma delas te conhece tão bem quanto eu, nem vícios, virtudes, atitudes e defeitos, tenho certeza que nenhuma delas olha para você do mesmo jeito que eu, sei que durante esses seis anos eu tentei fingir que nada sentia, que você não mexia comigo, porém hoje eu não consigo, só queria que você soubesse que gosto muito de você. (...)

Esse foi o trecho de  uma das diversas cartas que escrevi e não entreguei, dobrei e coloquei no meio do meu livro, tinha certeza que não deveria ser entregue, nada mudaria se ele soubesse dos meus sentimentos, não dava para ser melhor amiga e namorada ao mesmo tempo, não rolava, deixa isso para lá, preciso me arrumar, hoje é dia de tomar sorvete com ele, preciso estar pronta.

Como pude esquecer, como pude, desci a escada correndo com o livro nas mãos e pronta para sair, porém aquele dia o destino estava de brincadeira comigo e meu livro caiu no chão bem na frente dele e essa maldita carta caiu junto.

- Não abre, por favor.  (Seria mais fácil ter dito abre, leia é para você.)

- O que tem aqui pequena, que você não quer que eu abra?

- Nada, apenas pensamentos soltos. 

Sentia meu rosto queimar a cada passada de olhos que ele dava naquela carta, ali estava todos os meus sentimentos da forma mais pura, abri meu coração e falei tudo que sentia, fiz isso com a intenção de que ele nunca visse, pois ele viu, leu e releu, eu simplesmente fiquei parada na frente dele, sentada na calçada com as mãos entre o rosto, não podia voltar atrás, estava feito, ele tinha lido e sabia exatamente oque eu sentia.

- Pequena é verdade oque está escrito aqui?
- Alguma vez eu menti para você?
- Lendo essa carta, tenho a certeza que mentiu.
- Idiota, eu nunca menti, simplesmente escondi o que sentia.
- É o mesmo que mentir pequena.
- Mudaria alguma coisa falar?
- Muitas.

Estava acontecendo tudo que eu tinha evitado durante anos, a conversa, a explicação, questionamentos, não dava para fugir, precisava falar, explicar ou quem sabe explodir, não dava para correr, já estava feito.

- Mudaria oque então?
- Algumas coisas pequena
- Quer saber de uma coisa, por isso que nunca te contei, conheço cada defeito seu e cada qualidade também e devo ser bem sincera com você e dizer que seus defeitos vencem, você é indeciso e inseguro, não adiantaria falar, você iria começar a me tratar como se eu tivesse em um vaso de cristal (...)
- Pequena, mas...
- Mas nada, agora você me escute, sim eu gosto de você e não é de hoje, não te vejo mais como amigo a anos, em diversas festas tive que aguentar você correr atrás de meninas, ver elas indo atrás de você, quantas vezes eu fingi ser sua namorada para despistar alguma menina que você não queria, você não imagina quantas noites eu fiquei esperando você me beijar depois do tchau, diversas noites eu digitava a mensagem e apagava, escondi de mim mesma o que sentia por você, não admito sentir e não quero sentir.

Estava acontecendo tudo que eu tinha evitado durante anos, a conversa, a explicação, questionamentos, não dava para fugir, precisava falar, explicar ou quem sabe explodir, não dava para correr, já estava feito.

- Pequena posso falar, ou você vai ficar me fuzilando com todas as suas certezas e perfeições?
- Fale.
- Eu sempre te quis bem e quis de verdade, sempre tive medo de você e de como você é certa e cheia de razão, te conhece desde que tínhamos doze anos, fazem exatamente dezessete anos que nos conhecemos, todo domingo eu te chamo para tomar sorvete para ver se a sua armadura caiu e nunca cai, você está sempre segura e sempre certa do que quer, sempre me contado suas conquistas e seus sonhos mais distante, nunca me vi incluso nos seus sonhos, como você diz eu sou um cara cheio de defeitos e indecisões, mas a minha qualidade é te amar e minha decisão é ser feliz ao seu lado, desde sempre.


E ali a minha armadura caiu, no momento em que percebi que ele também me queria, tanto quanto eu o queria.

- Então para de falar e me beija.





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